Como Ficar em Forma para Jogar Tênis

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Embora praticar tênis por si só ajude a mantê-lo em forma, somente a prática do esporte não é a melhor forma de ficar em forma para jogar tênis em alto nível. Praticar tênis ajudará a fortalecer seus músculos e articulações, no entanto, é importante que você faça outros tipos de treinamento suplementar além de suas práticas se quiser ficar na sua melhor forma.

Se você tiver acesso a uma quadra de tênis fora dos horários de treino, um bom exercício para ficar em forma é correr em direção à rede a partir da linha de fundo e vice-versa. Em seguida, tente avançar de um lado da linha central para o outro. Salte para a frente como se estivesse dando um smash e fique em uma perna só para melhorar seu equilíbrio. Este vídeo do treinador Brett Able traz ótimas dicas de como se preparar para jogar contra um jogador melhor que você.

O treinamento para ficar em forma (e para mantê-la) deve incluir duas sessões de força de corpo inteiro por semana, trabalhando costas, braços e ombros, pernas e glúteos. Além disso, o treino não pode focar apenas em desenvolver força, mas também em aumentar a resistência para ter gás e conseguir executar os golpes repetidamente. Você logo perceberá a diferença na sua performance e verá que ficar em forma é essencial para que você tenha um bom desempenho durante todo o torneio.

No livro Complete Conditioning For Tennis, o especialista em performance Mark Kovaks destaca algumas das etapas fundamentais para desenvolver um treino eficaz para te ajudar a ficar em forma para jogar o seu melhor tênis.

Dica para ficar em forma 1 – Aprenda a analisar suas necessidades

Pergunte a si mesmo qual é a sua/seu:

  • Idade cronológica e de treinamento
  • Estado geral de saúde, nível de condicionamento físico e tipo de corpo
  • Pontos fortes e fracos identificados por você e seus técnicos, treinadores e médicos
  • Lesões atuais e anteriores
  • Objetivos de torneio e competição

Dica para ficar em forma 2 – Treinar séries e repetições

Normalmente, 2 a 6 séries de uma repetição são necessárias para aumentar a força. Realizar várias séries fornece treinamento de alto volume, o que ajuda a desenvolver a resistência e a força do jogador. Dentro de cada série, o número ideal de repetições é de 10-15. O número de repetições deve determinar a quantidade de peso levantado e, portanto, a intensidade do exercício. Quanto maior a quantidade de repetições, mais leves devem ser os pesos. Para determinar essa intensidade, muitos jogadores de tênis usam o sistema de repetição máxima (RM). Ao praticar RM, um atleta é capaz de realizar a quantidade desejada de séries sem prejudicar a forma, ao mesmo tempo que sente uma fadiga muscular significativa nas 2 últimas séries.

Dica para ficar em forma 3 – Descanso

No tênis, um ponto dura menos de 15 segundos em média e é seguido por 20-25 segundos de descanso. Os ciclos de treino devem imitar esse padrão. Um ciclo de reino em relação ao descanso treina os músculos para a prática do tênis e reforça os sistemas usados ​​para fornecer energia aos músculos em atividade.

Dica para ficar em forma 4 – Equilibre os tipos de treino

Um treinamento equilibrado combina treino e competição para maximizar as chances do jogador alcançar seu pico de performance. O equilíbrio entre aptidão, resistência muscular, força, treinamento de alta intensidade, competição e descanso é a chave.

Aqui estão algumas etapas para um regime de treinamento equilibrado:

  • Identifique os torneios mais importantes da temporada
  • Identifique períodos de 6 a 8 semanas para aumentar a força
  • Identifique um período de descanso ativo
  • Faça um gráfico dos pontos focais semanais. Por exemplo, durante o fortalecimento, concentre-se em aumentar resistência de jogo; duas semanas antes de um torneio, concentre-se em maximizar sua força ou o movimento em quadra.

Dica para ficar em forma 5 – Rotina de alongamento

A chave para ficar em forma com um programa de treinamento eficaz é adotar também uma rotina alongamento específico para tenistas para aumentar a flexibilidade, o condicionamento físico e prevenir lesões. Os principais grupos de músculos usados ​​ao jogar tênis são os músculos do ombro, os peitorais, o trapézio, o braço e antebraço, os quadris, os quadríceps e os músculos da panturrilha. Um golpe de forehand, por exemplo, atinge os peitorais, bíceps, deltóides, quadris e músculos centrais.

Mesmo a rotina de alongamento mais simples ajuda a promover uma circulação sanguínea saudável e, portanto, aptidão mental e coordenação. Mais importante ainda, um hábito regular de alongamento ajudará a prevenir lesões frequentes no jogo de tênis. Frequentemente, lesões, como as do ombro causam dor durante várias semanas.

Por último, é importante ter em mente que alongamentos inadequados também podem ter efeitos negativos em seus músculos. Com o tempo, eles podem causar danos permanentes às articulações e ligamentos. Este vídeo de 10 minutos do Stretching Institute descreve os melhores e mais fundamentais alongamentos para jogadores de tênis. Tente segui-lo após o treino e comece a sentir os benefícios de um corpo mais ágil.

Se você quer iniciar na prática do tênis ou quer incentivar seus filhos, o centro de treinamento competitivo Carlos Omaki Tênis oferece planos de desenvolvimento customizados e calendários específicos para que cada atleta possa atingir seu potencial. Entre em contato conosco através do e- mail contato@omakitenis.com.br ou Telefone: (11) 3021-1355.


Publicado originalmente no site Tennis Pal.

Sobre Carlos Omaki

Carlos Omaki é treinador de tênis há 38 anos. Uma das referências do tênis nacional, dono de duas premiações como Melhor Técnico das categorias de base do tênis brasileiro, é proprietário da COT tendo equipes na Academia Paulistana de Tênis, Club Athlético Paulistano e Tênis Club Paulista e com seu staff de treinadores cuida de cerca de 500 atletas na cidade de São Paulo.

Como treinador, participou não só dos começos de carreira de Luisa Stefani, mas também de Bia Haddad Maia, ex-top 60 mundial, e muitos outros.

Faça Parte da Equipe Carlos Omaki de Tênis Competitivo

No Carlos Omaki Tênis Competitivo oferecemos  planos de desenvolvimento customizados e calendários específicos para que cada atleta possa atingir seu potencial.

Contato

Dica Pré-Jogo: Se prepare Como um Campeão

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Jogar uma partida de tênis com a energia elevada de começo ao fim requer um preparo pré-jogo, ou seja, antes mesmo de entrar em quadra. Se preparar mental e fisicamente antes de entrar em quadra já em ritmo de jogo vai te ajudar muito na execução da sua estratégia.

Dica pré-jogo 1 – Prepare seu jogo para competir

  • Pratique da forma que você quer jogar em quadra. Isso inclui praticar sua rotina entre os pontos.
  • Tenha sua bolsa e equipamentos prontos – raquetes encordoadas e grip instalado, snacks saudáveis, muita água, bebidas esportivas se necessário, roupas extras, par de tênis extras, toalhas, bonés, protetor solar, etc.

Dica pré-jogo 2 – Prepare seu corpo para competir

  • Descanse: Siga um cronograma consistente de pelo menos oito horas consecutivas de sono.
  • Ao acordar: Levante-se no mínimo duas horas antes da partida (se a partida for às 8h). O horário ideal para acordar é três horas antes do início da partida para estar alerta na hora do jogo.
  • Café da Manhã: Escolha sucos, frutas, iogurtes com cereais, torradas etc. (sem leite, queijos, manteiga, salgados e doces).
  • Hidratação: Beba 1.5 litro de água com eletrólitos duas horas antes do início da partida e continue bebendo durante toda a partida.
  • Treino pré-jogo:
  • Aquecimento: 15 minutos.
  • Bate bola: 30-45 minutos incluindo jogadas / situações específicas de preparação para o adversário. Por exemplo ser agressivo em devoluções de segundo saque, forehands no meio da quadra etc.

Dica pré-jogo 3 – Prepare sua mente para competir

  • Escolha três metas de estratégia de jogo para se concentrar antes e durante a partida. Geralmente são coisas com as quais você tem trabalhado na prática, concentre-se em objetivos táticos e competitivos, como seguir sua rotina, ir em todas as bolas, ditar o jogo com seu forehand.
  • Descanse nos 15-30 minuto antes da partida. De preferência em um local tranquilo e sem conversar com os outros jogadores. Ouça música ou leia (sem distrações como telefones, computadores, tablets etc. já que essas coisas requerem energia mental e pode deixá-lo mentalmente cansado antes de entrar em quadra.
  • Visualize mentalmente a partida que você jogará (e esteja preparado para resultados positivos e para situações adversas).

Dica pré-jogo 4 – Entre em quadra com ritmo real de jogo

  • Ativação física: Depois que sua quadra for designada faça 3-5 minutos de ativação física antes de ir entrar para a partida (ou seja, sprints, exercícios rápidos com os pés, exercícios de reação, sombras com raquete etc.).
  • Ativação mental: concentre-se em seus objetivos estratégicos e se entusiasme com a partida.
  • Aquecimento com o adversário: Movimente-se e troque bola vigorosamente. Aja como se a partida já tivesse iniciado.

Os tenistas profissionais são profissionais dentro e fora da quadra. Eles preparam seu jogo, corpo e mente para dar o melhor de si sempre. Confira algumas dicas de profissionais para agir como um na sua preparação.

Três maneiras de se preparar para partidas como os tenistas profissionais:

  1. Faça um aquecimento vigoroso. Mova os pés e vá em todas as bolas. (Hit your shots big and miss, and then bring it back in to the court. You want to know what you can do with your shots on that day) Acerte seus tiros em grande e erre, e então traga de volta para a quadra. Você quer saber o que pode fazer com suas injeções naquele dia.
  2. Estabeleça três metas de jogo para sua partida. Em seguida, visualize como você jogará para alcançar suas metas por 5 a 10 minutos, com ou sem música. Dessa forma, você estará focado em jogar da maneira que praticou, o que tira a pressão de se concentrar em ganhar e perder.
  3. Reserve de 20 a 30 minutos antes do jogo para se concentrar, sem distrações com telefone, eletrônicos, amigos ou familiares. Faça movimentos dinâmicos para aquecer o corpo e a mente.

Profissionalismo é um dos valores mais importantes de um grande tenista. Um componente importante do profissionalismo é estar preparado para as partidas, física e mentalmente. Venha treinar com a equipe multidisciplinar do Carlos Omaki Tênis e veja a diferença nos seus resultados.


Publicado originalmente em 21 de maio de 2015 no site USTA

 

Sobre Carlos Omaki

Carlos Omaki é treinador de tênis há 38 anos. Uma das referências do tênis nacional, dono de duas premiações como Melhor Técnico das categorias de base do tênis brasileiro, é proprietário da COT tendo equipes na Academia Paulistana de Tênis, Club Athlético Paulistano e Tênis Club Paulista e com seu staff de treinadores cuida de cerca de 500 atletas na cidade de São Paulo.

Como treinador, participou não só dos começos de carreira de Luisa Stefani, mas também de Bia Haddad Maia, ex-top 60 mundial, e muitos outros.

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No Carlos Omaki Tênis Competitivo oferecemos  planos de desenvolvimento customizados e calendários específicos para que cada atleta possa atingir seu potencial.

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3 Lições Importantes de Winning Ugly

Carlos Omaki Tenis- Winning Ugly Brad Gilbert

A quantidade de informações que pode ser obtida do clássico “Winning Ugly” de Brad Gilbert (no Brasil  “Jogue para Vencer: Lições de um mestre para triunfar na guerra mental do tênis” ) pode ser surpreendente pois é basicamente um guia de “como ganhar” uma partida de tênis.

Carlos Omaki Tenis Competitivo- Brad Gilbert- Winning Ugly

 

O livro enfatiza ações, além do desenvimento de técnica, que alguém pode fazer para melhorar seu jogo

Vamos abordar três:

1- Jogando com Inteligência

Este conselho um tanto óbvio é o título de uma seção inteira em Winning Ugly, mas não é apenas um mantra positivo. O livro discute os elementos nos quais você deve se concentrar para buscar ativamente um jogo mais inteligente.

  • Faça uma análise correta – Leia bem os pontos fracos e também os pontos fortes de seus oponentes. Tente reconhecer quaisquer padrões que eles possam seguir. Mais importante ainda, identifique os erros não forçados de seu oponente. Esses são erros principalmente técnicos, ou seja, erros cometidos sem pressão do oponente.
  • Tenha um plano de jogo- Não importa quem seja seu oponente, esse plano deve ser baseado na premissa de que sempre há uma maneira de vencer. Seu plano deve consistir em dois objetivos específicos. O que você deseja que aconteça e o que você quer prevenir que aconteça. Tendo este mindset, a leitura de como se joga o jogo fica muito mais clara.
  • Sempre existem erros de arbitragem. É um fato que todo esporte tem juízes ou adversários desonestos. Brad Gilbert aconselha sempre a não discutir marcações duvidosas. Escolha sempre suas brigas com sabedoria. Se a bola pingou duas vezes, se você achou que o adversário cantou uma bola fora, mas você achou boa…brigar com o juiz ou adversário não vale a pena. Abordagens mais sutis podem ser mais eficazes, como perguntar aonde a bola foi, ou o que aconteceu, e preserva seu foco mental pro jogo

 

2- Táticas psicológicas

Existem sempre oponentes que empregam táticas psicológicas contornando as regras para obter vantagem sobre você. O livro apresenta diversas maneiras de utiliza-las (não confundir estas táticas como ilegais ou desleais. Brad nunca incentiva a trapacear como cantar fora bolas duvidosas por exemplo).  Rapidamente, vamos apresntar duas situações Embora o livro discuta maneiras de utilizar essas táticas você mesmo, vamos apresentar duas situações que você pode fazer se alguém estiver tentando aplicar estas táticas sobre você.

  • Tática do Jogo Lento. Este estilo de jogo é aquele que o adversário demora pra se posicionar depois de um ponto. Ou quica a bola centenas de vezes antes de sacar. Esta lentidão tem como propósito tirar o adversário de ritmo e deixa-lo desconfortável. Brad sugere que assim que seu adversário realizar todo este ritual e estiver pronto pra sacar, dê alguns passos pra trás e ajeite sua raquete ou roupa. Esta ação tem como objetivo alinhar sua preparação para jogar o ponto. Pois a partir do momento em que você percebe que está esperando por seu oponente e quer que ele se apresse para começa, você não está realmente pronto para jogar. Em vez disso, utilize este momento para se concentrar.
  • Apague a faísca e não o fogo. A raiva pode ser uma arma mortífera nos esportes. Os oponentes podem fazer coisas pequenas e sutis que eles sabem que estão te incomodando. Pior ainda, espectadores ou treinadores, ou qualquer coisa no ambiente do torneio pode estar tirando você do jogo. Reconheça esses elementos quando eles acontecerem! Se houver algo que possa ser feito para eliminar esses fatores, isso precisa acontecer o quanto antes. Quando você estiver furioso, pode já ser tarde demais para consertar o estrago

 

3- Pontos de Setup

Para alguns jogadores, principalmente amadores, existe um pré-conceito equivocado que existem apenas dois tipos de pontos no tênis: os pontos de vantagem e todo o resto.

O ideal é tratar o ponto que pode dar a mim ou a meu oponente a vantagem para fechar.

Eu trato o ponto anterior que pode levar a mim ou ao meu oponente a um ponto de vantagem como um momento importantíssimo, pois este é o ponto que irá recompensar quem ganhá-lo com a oportunidade de ganhar um game.

Qualquer ponto que precede um ponto de vantagem chamamos de “Ponto de Setup”.  Este é o ponto jogado em 0-30, 30-l0, 15-30, 30-15, 30-30 e Deuce. Estes são todos Pontos de Setup para um ou ambos os jogadores.

Segundo Brad Gilbert:

“Quando estou olhando para uma dessas pontuações, dá aquele frio na barriga, especialmente em 30-30 (ou em Deuce), quando ambos temos a chance de avançar e chegar a um ponto de Vantagem. Esses são os pontos que realmente me animam.

Este é um grande momento porque é o ponto que vai decidir quem tem a chance de jogar para fechar o game. E quando o Set ou o Jogo todo depende deste game, o este Ponto de Setup é ainda mais valioso!

Se eu ganhar um ponto de Setup em 30-30 ou Deuce, estarei a apenas um ponto de vencer o jogo. Meu oponente está a três pontos! Isto é uma grande diferença. Se eu ganhar um ponto em 30-15 (para subir 40-15), o spread é ainda maior.

Ganhar um Ponto de Setup me permite mover para uma posição mais forte mentalmente, seja sacando ou recebendo.

Um bom exemplo que vemos direto é nos níveis amadores- se o seu oponente está sacando e você ganha o seu Ponto de Setup, pode ser tudo que você precisa fazer. Muitas vezes o que vimos é o seu adversário fazer uma dupla falta e te entregar o jogo!

***

“Winning Ugly explica a fórmula de Brad para ganhar uma partida de tênis. Ele entende a questão mental do jogo melhor do que qualquer um. Brad me ajudou a melhorar meu jogo, e acredito que ele poderá melhorar o seu.”

– Andre Agassi, ex-tenista profissional, ganhador de 60 títulos, sendo 8 de Grand Slam

“Winning Ugly é ótimo. São táticas profissionais que melhorarão as habilidades do jogador amador rapidamente. Winning Ugly ensina como jogar melhor, além de divertir.”

– Pete Sampras, ex-tenista profissional norte-americano, ganhador de 64 títulos, sendo 14 de Grand Slam

Winning Ugly é um dos livros sobre tênis mais vendidos de todos os tempos.

O ex-competidor e atual treinador e analista Brad Gilbert oferece dicas de como ganhar as partidas, mesmo sem jogar tão bem quanto o adversário – seja você amador ou um profissional.

As orientações de Gilbert se baseiam nas estratégias de campeões como Roger Federer, Novak Djokovic, Serena Williams, Andy Murray, entre outros, para que você aprenda a derrotar os oponentes mais difíceis.

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Sobre Carlos Omaki

Carlos Omaki é treinador de tênis há 38 anos. Uma das referências do tênis nacional, dono de duas premiações como Melhor Técnico dascategorias de base do tênis brasileiro, é proprietário da COT tendo equipes na Academia Paulistana de Tênis, Club Athlético Paulistano e Tênis Clube Paulista e com seu staff de treinadores cuida de cerca de 500 atletas na cidade de São Paulo.

Como treinador, participou não só dos começos de carreira de Luisa Stefani, mas também de Bia Haddad Maia, ex-top 60 mundial, e muitos outros.

O Lado Mental do Tênis- Inspirado por Timothy Galwell- Parte 2

Omaki Tenis Competitivo- Jogo Interior do Tenis

O Lado Mental do Tênis- Inspirado por Timothy Galwell- Parte 2

Confiando no Ser 2

Parece inapropriado xingar ou ofender nosso corpo de nomes perojativos.

O Ser 2 – isto é, o corpo físico, incluindo o cérebro, o banco de memória (consciente e inconsciente) e o sistema nervoso – é uma coleção de potenciais altamente sofisticada e competente. Alinhado a ele, existe uma inteligência interior impressionante e o mais interessante é que esta inteligência interior aprende facilmente.

Enquanto o Ser 1 for muito ignorante ou muito orgulhoso para reconhecer as capacidades e habilidades do Ser 2 será muito difícial obter a auto-confiança plena!

O relacionamento entre o Ser 1 e o Ser 2 é parecido com o relacionamento entre pais e filhos.

Alguns pais têm dificuldade em deixar que os filhos façam algo pois acreditam que eles próprios sabem melhor como isso deve ser feito. Mas o pai confiante e carinhoso permite que o filho execute suas próprias ações, até mesmo a ponto de cometer erros porque confia que o filho aprenderá com eles.

Em um jogo de tênis, quanto mais importante for o ponto, mais o Ser 1 irá tentar controlar o golpe e é exatamente neste momento que ocorre a tensão do corpo. Os resultados neste caso são quase sempre frustrantes.

Uma curiosidade é que as crianças aprendem a andar antes mesmo que seus pais as ensinem. E dentro deste contexto, as crianças não só aprendem a andar bem, mas eles também criam a confiança necessária neste processo de aprendizado natural.

As mães observam os esforços das crianças com amor e curiosidade, sem muita interferência. Se no jogo de tênis tivessemo este approach, sem dúvida teriamos muito mais progresso.

Ter uma visão clara do resultado desejado é o método mais poderoso para se comunicar com o Ser 2, especialmente quando se joga uma partida.

O Papel do Ser 1 é ficar parado e observar os resultados de uma maneira isolada.

É importantissimo que não se faça nenhum esforço consciente para manter a raquete em um determinado ângulo. Se após alguns golpes, a raquete não estiver de acordo com a imagem que o Ser 2 visualizou, então se concentre em imaginar o resultado que pretende e deixe a raquete fazer seu trabalho de maneira inconsciente.

Costumo sugerir que, como experiência, o jogador adote o estilo mais diferente possível do que praticava anteriormente.

Também sugiro que desempenhem o papel de um bom jogador, independentemente do estilo que escolheram. Além de ser muito divertido, esse tipo de interpretação pode aumentar muito a visão do jogador. Deixar de ter julgamentos, a arte de criar imagens mentalmente e “deixar acontecer” são três das habilidades básicas envolvidas no Jogo Interior.

Descobrindo a Técnica

Parecia que a mãe sabia exatamente o quanto precisava “mostrar”, quando encorajar e quando deixar de incentivar.

Ela sabia que poderia confiar no instinto da criança, uma vez que fosse “iniciado”.

Talvez o grande erro tenha sido não confiar o suficiente no Ser  2 e confiar demais no Ser 1. É como se quiséssemos pensar que somos mais computador obediente do que um ser humano.

Se nos permitirmos perder o contato com nossa capacidade de sentir nossas ações, por confiar demais nas instruções, podemos comprometer seriamente nosso acesso aos nossos processos naturais de aprendizagem e nosso potencial de desempenho. Em vez disso, se acertarmos a bola confiando nos instintos do Ser 2, reforçamos o caminho neural mais simples para a execução ideal de golpe.

Muitas instruções verbais, vindas de fora ou de dentro, interferem na nossa habilidade de jogar.

Um backhand pode ser executado com um pulso frouxo e garanta controle? Certamente. Mas este mesmo controle, pode ser atingido com um pulso muito firme? Sim, claro que pode.

Portanto, por mais útil que esta instrução possa parecer, você não pode usá-la ao pé da letra. Ao invés disso, você se utiliza destas instruções para orientar sua própria conclusão do grau ideal de rigidez de seu pulso. E isto pode ser feito sempre prestando atenção na sensação do pulso durante o golpe, não necessariamente interpretando a orientação verbal.

Se você pedisse a um grupo de profissionais e teóricos para escrever todos os elementos importantes de um golpe de forehand, a maioria acharia fácil distinguir pelo menos cinquenta, e eles poderiam ter várias categorias para cada um destes elementos. Imagine a dificuldade do tenista em lidar com toda essa complexidade! Por outro lado, compreender o swing e lembrar sua sensação (feeling) é como se lembrar de uma única imagem, deixando tudo mais claro e simples.

Mudança de hábitos

É no processo de mudança de hábitos que a maioria dos jogadores vivenciam a maior dificuldade.

Quando se aprende como mudar um hábito, é relativamente simples saber quais mudar. Depois de aprender a aprender, você só precisa descobrir o que vale a pena de fato aprender.

Por que é tão fácil para uma criança aprender uma língua estrangeira? É mais fácil porque a criança ainda não aprendeu a interferir no seu próprio processo de aprendizado. O Jogo Interior foca na maneira de aprender dentro desta dinâmica “infantil”.

É muito mais difícil quebrar um hábito quando não existe um substituto adequado para ele.

Essa dificuldade geralmente existe quando nos tornamos moralistas em relação ao nosso jogo de tênis. Se um jogador lê em um livro que é errado angular sua raquete, mas não é oferecida uma maneira melhor de manter a bola na quadra, vai precisar de muita força de vontade para manter sua raquete chapada ao mesmo tempo em que efica preocupado com o bola saindo para fora da quadra.De fato, quanto mais tentamos quebrar um hábito, mais difícil fica de quebra-lo.

É um processo doloroso lutar para sair dessa armadilha mental.

No entanto, existe um método natural e mais infantilizado. Uma criança não se esforça descomunalmente para se livrar de seus velhos hábitos; ela simplesmente começa novos! A armadilha pode estar lá, mas você não cai nela porque de fato você se desvia dela.

Se você pensa que é controlado por um mau hábito, sentirá que deve tentar quebrá-lo. Uma criança não precisa quebrar o hábito de engatinhar, porque ela não acha que tem um hábito. Ele simplesmente deixa de faze-lo, pois encontra uma maneira mais fácil de se locomover andando.

 

 

Carlos Omaki Tenis Competitivo- Timothy Galwell- Stan Wawrinka

Aqui vai um resumo do jeito tradicional que costumamos aprender em contraste com o processo de aprendizado ensinado no Jogo Interior.

Etapa 1- Observações sem Julgamento

Onde você quer começar? Qual a parte do seu jogo que exige mais atenção?

Exemplo: Depois de observar e sentir seu saque por cerca de cinco minutos, você pode ter uma boa ideia sobre o elemento específico do golpe que precisa de atenção. “Pergunte” ao seu saque como ele gostaria de ser diferente. Talvez queira um ritmo mais fluido; talvez ele queira mais potência ou uma quantidade maior de giro. Se 90% das bolas estão indo para a rede, provavelmente é bastante óbvio o que precisa ser mudado. Em qualquer caso, deixe-se sentir a mudança necessária e depois observe mais alguns saques.

Etapa 2- Visualize o Resultado Almejado

Faz de conta que o resultado desejado é ter mais potência no saque. A próxima etapa é imaginar e visualizar seu saque com mais potência. Uma maneira de se enxergar isso é visualizar alguem com um saque potente. Não analise demais, simplesmente absorva o que você vê e tente sentir o que seu exemplo sente.

Etapa 3- Confie no Ser 2

Tente sacar de novo, mas sem pensar muito no seu movimento. Tente resistir a qualquer vontade de tentar bater a bola com mais força. Simplesmente deixe seu serviço fazer o movimento. Já tendo em mente que quer mais potência, deixe acontecer. Não é nada mágico, mas apenas deixe seu corpo explorar todas as possibilidade. Independente do resultado, deixe o Ser 1 fora disso!

Etapa 4- Observações de mudanças e resultados sem julgamento

Você está deixando seu serviço fazer todo o movimento:

No momento você está deixando seu serviço fazer todo o movimento, o seu papel é simplesmente observar. Observe o processo sem exercer controle sobre ele. Se você acha que quer ajudar, não o faça. Quanto mais você conseguir confiar no processo natural que está ocorrendo, menos chances terá de  cair nos padrões habituais de interferência de tentar muito, julgar e pensar – e na frustração que inevitavelmente se segue.

Quando você se esforça para acertar a bola corretamente, e dá certo, você obtém um certo tipo de satisfação do ego. Você sente que está no controle, que é o senhor da situação. Mas quando você simplesmente permite que o serviço sirva a si mesmo, não parece que você merece nenhum crédito. Não parece que foi você quem bateu na bola. Você tende a se sentir bem com a capacidade de seu corpo e, possivelmente, até mesmo a ficar surpreso com os resultados, mas o crédito e a sensação de realização pessoal são substituídos por outro tipo de satisfação.

Mas é claro que, no instante em que tento relaxar, o verdadeiro relaxamento desaparece e, em seu lugar, surge um estranho fenômeno chamado “tentar relaxar demais”. O relaxamento acontece apenas quando permitido, não como resultado de “tentar” ou “fazer”

Se você não leu sobre o Ser 1 e Ser 2, clique aqui e conheça melhor este conceito do Jogo Interior do Tênis,

No próximo post sobre o lado mental do tênis, vamos abordar como desenvolvemos nosso poder de concentração. 

Sobre Carlos Omaki

Carlos Omaki é treinador de tênis há 38 anos. Uma das referências do tênis nacional, dono de duas premiações como Melhor Técnico dascategorias de base do tênis brasileiro, é proprietário da COT tendo equipes na Academia Paulistana de Tênis, Club Athlético Paulistano e Tênis Clube Paulista e com seu staff de treinadores cuida de cerca de 500 atletas na cidade de São Paulo.

Como treinador, participou não só dos começos de carreira de Luisa Stefani, mas também de Bia Haddad Maia, ex-top 60 mundial, e muitos outros.

O Lado Mental do Tênis- Inspirado por Timothy Galwell- Parte 1

Omaki Tenis Competitivo- Timothy Galwell

O Lado Mental do Tênis- Inspirado por Timothy Galwell- Parte 1

O tênis é um esporte extremamente mental. Percebemos isso quando vemos os melhores do mundo no circuito ATP onde todos Top 100 jogam demais entre eles, mas apenas alguns se destacam entre os Top 10. Muitos atribuem este destaque ao lado mental do jogo, onde reside o grande diferencial dos gigantes comparados aos excelentes.  

Ser forte mentalmente, não “tremer” ou“pipocar”, são jargões que ouvimos sempre no nosso esporte.

Um dos livros mais importantes sobre este lado mental do esporte se chama “JOGO INTERIOR DO TÊNIS”- Inner Game of Tennis,  escrito por Tim Gallwey no Estados Unidos. Gallwey foi capitão da equipe de tênis da Harvard University em 1960 e, se tornou professor de tênis profissional na Califórnia após se formar. Ele observou a dificuldade de aprendizado dos alunos no método tradicional, não por falta de competência, mas especialmente por ansiedade, insegurança e auto-crítica.

Através desta observação, ele desenvolveu o Inner Game, uma metodologia de aprendizado baseada no autoconhecimento, autoconfiança e experimentação, desafiando os hábitos da mente que inibem a excelência na performance.

No início dos anos 70 dando aula de tênis para um executivo da AT&T, foi convidado a compartilhar esse método de excelência no mundo corporativo, tornando-se uma referência na área e considerado o criador do conceito de coaching.

Nos próximos posts, vamos falar um pouco sobre este livro e nos aprofundar um pouco mais sobre o o jogo mental dentro do jogo de tênis pela ótica do Grande Timothy Gallwey

Reflexões sobre o lado mental do tênis

Todo jogo  de tênis é composto de duas partes, um jogo externo e um interno. O jogo externo é jogado contra um oponente externo para superar obstáculos externos e atingir um objetivo externo.

A tese deste livro é que nem o domínio nem a satisfação podem ser encontrados em jogar qualquer jogo sem dar alguma atenção às habilidades relativamente negligenciadas do jogo interno.

Este é o jogo que ocorre na mente do jogador, e é jogado contra obstáculos como lapsos de concentração, nervosismo, insegurança e auto-crítica. Em suma, é jogado para superar todos os hábitos mentais que inibem a excelência no desempenho.

O jogador do jogo interno passa a valorizar a arte da concentração relaxada acima de todas as outras habilidades; ele descobre uma base verdadeira para a autoconfiança; e ele aprende que o segredo para vencer qualquer jogo está em não se esforçar muito.

Relatos de Timothy Gallwey:

A reclamação mais comum de tenistas competitivos é: “Não é que eu não sei o que fazer, é que não faço o que sei!”

Após muitos anos de experiência, comecei a entender que os bons profissionais e estudantes de tênis deveriam aprender:

– Que as imagens são melhores do que as palavras!

– Mostrar é mais eficiente do que falar.

– Instruções demais são piores que nenhuma instrução.

Uma pergunta me deixou intrigado: o que há de errado em tentar? O que realmente significa “tentar demais”?

Um jogador num estado normal de jogo

Um jogador neste estado sabe para onde quer que a bola vá, mas não precisa “se esforçar” para manda-la para lá. Simplesmente parece acontecer – e freqüentemente com mais precisão do que ele poderia esperar. O jogador parece estar imerso em um fluxo de ação que requer sua energia, mas resulta em maior poder e precisão.

Esta “boa fase momentanea” geralmente se mantém até que ele comece a pensar conscientemente sobre ela e seu foco começa a ser tentar mantê-la. Assim que ele tenta exercer este controle, esta boa fase some.

Na próxima vez que seu adversário estiver tendo uma sequência incrível de pontos bem jogados (a gente se depara sempre com estas situações), simplesmente pergunte a ele enquanto vocês trocam de lado: “O que você está fazendo de tão diferente que seu forehand está tão bom hoje?” Se ele morder a isca – e a maior parte das pessoas fazem isso – e começar a pensar e refletir em como está se equilibrando, contando como ele realmente está tentando pegar a bola na subida com o pulso firme,  existe uma grande chace desta “boa fase” acabar. Ele perderá o tempo e a fluidez ao tentar repetir o que acabou de dizer pra você.

O backhand pode ser usado como arma apenas na quadra de tênis, mas a habilidade de dominar a arte da concentração sem pressão é aplicável em qualquer coisa situação de vida!

Carlos Omaki Tenis- Jogo Interior do Tênis

A descoberta dos dois seres- Ser 1 e Ser 2

A chave para a prática do tênis em alto nível — ou para qualquer outra atividade que pode ser melhorada — está em desenvolver o relacionamento entre o consciente, que é o Ser 1 (mais pensador), e as capacidades naturais do Ser 2 (mais instintivo).

Dentro de cada jogador, o tipo de relacionamento que existe entre o Ser 1 e o Ser 2 é o fator principal para determinar a capacidade de alguém de transformar seu conhecimento teórico da técnica em ação eficaz.

Em outras palavras, a chave para um tênis melhor  está em melhorar o relacionamento entre o Ser 1 que é altamente consciente e o Ser 2, que possui características altamente instintivas e naturais.

Uma aluna estava começando a sentir a diferença entre “dar o melhor” usando a energia do Ser 1 e “esforço”, a energia usada pelo Ser 2, para fazer concluir seus treinos.

Durante a última troca de bolas, seu Ser 1 estava totalmente ocupada em observar as costuras da bola. Como resultado, seu Ser 2 foi capaz de seu realizar seus golpes sem problemas e provou ser muito bom nisso. O interessante é que até o seu Ser 1 estava começando a reconhecer os talentos do Ser 2. Esta aluna finalmente esta conseguindo fazer os seus dois seres internos trabalharem juntos.

 

Ter postura mental no tênis exige o aprendizado de várias habilidades internas:

1)  Aprender como visualizar a imagem mais clara possível dos resultados e objetivos desejados;

2)  Aprender como confiar no Ser 2 (auto-confiança) para ter a melhor performance possível e aprender com os sucessos e fracassos;

3)  Aprender a observar “sem julgar” – isto é, ver o que está acontecendo, em vez de apenas perceber o quão bem ou mal está acontecendo.

Carlos Omaki Tenis Competitivo- Timothy Galwell- Frases

Silenciando o Ser 1 e o Processo de Julgamento

Em suma, “entender o contexto mental do todo” requer desacelerar a mente. Acalmar a mente significa diminuir todas as seguintes ações: pensar, calcular, julgar, preocupar, temer, esperar, tentar, lamentar, controlar, tremer ou distrair.

A mente está quieta quando está totalmente aqui e agora em perfeita unidade com a ação e o “ator”. O objetivo do Jogo Interior é aumentar a frequência e a duração desses momentos, aquietando a mente de maneira contínua e capacitando uma expansão contínua de nossa habilidade de aprender e performar.

Para a maioria de nós, aquietar a mente é um processo gradual que envolve o aprendizado de várias habilidades internas. Essas habilidades são na verdade artes de esquecer hábitos mentais adquiridos desde que éramos crianças.

A primeira habilidade a aprender é a arte de abandonar a inclinação humana de julgar a nós mesmos e nosso desempenho como bons ou ruins. Abandonar o processo de julgamento é uma chave básica para o Jogo Interior. Quando desaprendemos a julgar, é possível chegar a um nível de jogo espontâneo e altamente focado.

No entanto abandonar os julgamentos não significa ignorar os erros. Significa simplesmente ver os eventos como eles são e não adicionar opinões a eles.

Exemplo: Através de um approach sem julgamentos durante o jogo, vai fazer perceber que durante uma certa partida você saca 50% de seus primeiros saques na rede. Isto é um fato. Através desta rápida observação, você acaba descrevendo com precisão que o seu saque não está calibrado naquele dia. E com esta observação se começa a busca pela causa deste problema.

Ao contrário, se o approach desta situação é feito com julgamento, seu saque começa a ser rotulado como “ruim” e isto começa a causar uma interferência no seu jogo pois acarreta em sensaçãoes de raiva, frustração e desânimo.

Se o processo de julgamento fosse limitado a apenas rotular este evento como “ruim” e não tivessemos mais nenhuma reação ou opinião sobre isso, a interferência no jogo e principalmente na performance seria mínima.

Julgamento em excesso resulta em “travar”. E quando nosso corpo começa a “travar”, ele acaba interferindo de maneira negativa na fluidez necessária para realizar movimentos rápidos e precisos. O relaxamento possibilita golpes suaves e aceitos como são, mesmo que sejam causadores de erros.

Portanto, o primeiro passo é visualizar seus golpes como eles são. Eles devem ser visualizados de forma clara e transparente, sem nenhum tipo de julgamento. Assim que esta informação é aceita, o processo de mudança acontece de forma natural e rápida.

Isto foi bem visível em um dos meus atletas que sempre tinha dificuldades em realizar um backhand fluído. O que “destravou” o seu backhand foi quando ele parou de tentar mudar seu backhand. Ao invés disso, ele de fato viu como ele era.

Com a ajuda de um espelho, ele conseguiu visualizar seu movimento e percebeu os pontos onde poderia melhorar. Sem nenhuma análise ou pensamento consciente, ele desenvolveu sua atenção para esta parte específica do seu swing. Portanto apenas com uma visualização clara e sem nenhum julgamento pré-concebido é possível saber de fato como as coisas são.

Não importa qual seja a reclamação de um aluno durante uma aula. O primeiro passo (e o mais benéfico) é incentivá-lo a ver e sentir o que ele está fazendo, ou seja, aumentar sua visão nua e crua do que realmente é.

Eu sigo o mesmo processo quando meus próprios golpes não estão calibrados. Contudo o único jeito de ver como as coisas são é tirar este “óculos de julgamento”. Essa ação abre um lindo processo de desenvolvimento natural surpreendente.

Sem um padrão para o certo e o errado, a mente julgadora cria seus próprios padrões. Enquanto isso, a atenção é sai foco real- o que realmente é- e se centraliza no processo de fazer “a coisa certa”.

Em uma outra ocasião durante um treino feminino, após um primeiro cesto de bolinhas, eu elogiei as minhas jogadoras por terem mandado poucas bolinhas na rede. A partir do segundo cesto, percebi que seus movimentos começaram ficar mais travados.

Perguntei a minhas jogadoras o que elas estavam pensando durante esta segunda parte do drill. Cada uma delas disse que não mandar as bolinhas na rede.  Neste caso, se percebe nitidamente que elas estavam vivendo de acordo com uma expectativa, um padrão de certo ou errado, um padrão que foi colocado diante delas.

O fato de sempre buscar por aprovação e evitar desaprovação é um ato sutil do nosso ego em ver elogios como potenciais críticas! É assim que o ego opera: “Se o técnico está feliz que não mandamos as bolinhas na rede, ele vai ficar irritado se as bolinhas começarem a ficar na rede. Se ele gosta de mim quando estou jogando bem, ele vai me odiar se eu não estiver jogando bem”. Nota-se que o padrão de bom e ruim foi estabelecido no consciente e isto impacta interfere profundamente no foco e performance.

Encerrando julgamento, você deixa de evitar ver as coisas como eles são. Acabando com o senso de julgamento, não se soma nem subtrai os fatos como eles são. As coisas são porque são e aceitando isto, a menta se torna mais calma.

Portanto, a primeira habilidade para se desenvolver no jogo interior é relacionado a observação sem julgamento. Quando desaprendemos a julgar, não precisamos de motivação para mudar nossos hábitos ruins. Só precisamos ser mais atenciosos pois existe um processo de aprendizado e performance mais natural a ser descoberto, sem a interferência de um consciente que só visa a auto-crítica.

No próximo post sobre o lado mental do tênis, vamos abordar como podemos melhorar nossa confiança no Ser 2– o principal responsável pela execução dos golpes e decisões em quadra.

Sobre Carlos Omaki

Carlos Omaki é treinador de tênis há 38 anos. Uma das referências do tênis nacional, dono de duas premiações como Melhor Técnico dascategorias de base do tênis brasileiro, é proprietário da COT tendo equipes na Academia Paulistana de Tênis, Club Athlético Paulistano e Tênis Clube Paulista e com seu staff de treinadores cuida de cerca de 500 atletas na cidade de São Paulo.

Como treinador, participou não só dos começos de carreira de Luisa Stefani, mas também de Bia Haddad Maia, ex-top 60 mundial, e muitos outros.

Por que dormimos?

Carlos Omaki- Por que Dormimos?

Por que dormimos?

“Por que nós dormimos?” Esse é o título do livro escrito pelo professor de neurociência na Universidade da Califórnia em Berkeley, Matthew Walker. Em seu livro, Walker discute sobre o sono, sua importância e as graves consequências advindas de, habitualmente dormir menos de 8 horas por noite.

Nesse artigo, o foco será na influência de uma boa rotina de sono para tenistas e atletas de modo geral.

Em primeiro lugar, para tirarmos o máximo dos treinos, é essencial dormir bem. Isso posto, pois durante o sono, o cérebro transfere a memória de um armazenamento de curto prazo para um armazenamento mais permanente, que faz com que nossa memória muscular seja internalizada e automatizada.

Por exemplo, de maneira simplificada trazendo para o contexto do tênis, para bater
um bom forehand, devemos fazer o split step quando o oponente está prestes a golpear, nos posicionar de lado sem tirar o olho da bola, abrir a cabeça da raquete alta, fazer contato com a bola com a raquete fazendo movimento linear e angular, e, por último, finalizar a batida com a raquete acima do ombro.

Porém, para que o seu cérebro não tenha que lembrar cada um dos passos de uma vez, a automatização trazida pelo sono é o que faz com que o passo seguinte ocorra naturalmente e de maneira fluida após o passo anterior.

Omaki Tenis Competitivo- Federer Dormindo

Obviamente, a maioria dos tenistas que já treinam há pelo menos um ou dois anos tem esses passos internalizados de maneira muito natural. Porém, quanto mais o treino for combinado com o sono, mais automática ficará a resposta do corpo ao realizar o forehand, ajudando sensivelmente no desenvolvimento do seu tênis.

Em uma entrevista com Joe Rogan, Matthew afirmou que: “A prática não leva à perfeição. Praticar e depois ter uma noite de sono é o que leva à perfeição, porque você volta no dia seguinte de 20 a 30% melhor em desempenho do que no final do treino no dia anterior.” Certo, mas então o quão importante é dormir o suficiente na noite anterior ao treino?

Dormir 6 horas ou menos reduz significativamente sua capacidade aeróbica no treino e diminui o tempo para exaustão física em 10 a 30%. Além disso, há uma queda na força muscular, na capacidade respiratória e na eficiência de eliminar suor, uma parte crítica para performance de alto nível.

Fora isso, segundo Walker, não tem melhor investimento do que o sono para reduzir o risco de lesões corporais em atletas. Isso é verdade porque o sono acelera a recuperação física de inflamações, estimula a restauração muscular e ajuda a estocar energia celular.

Portanto, se você treina tênis ou algum outro esporte, é bom você ir preparando seu alarme para ir para a cama cedo caso você queira maximizar sua memória muscular, sua performance em treinos e minimizar seu risco de ter uma lesão.

O sono te ajuda dentro e fora das quadras. Durma melhor e otimize seu tênis!

Texto escrito por Renato Prado em 30 de agosto de 2020

Sobre Carlos Omaki

Carlos Omaki é treinador de tênis há 38 anos. Uma das referências do tênis nacional, dono de duas premiações como Melhor Técnico dascategorias de base do tênis brasileiro, é proprietário da COT tendo equipes na Academia Paulistana de Tênis, Club Athlético Paulistano e Tênis Clube Paulista e com seu staff de treinadores cuida de cerca de 500 atletas na cidade de São Paulo.

Como treinador, participou não só dos começos de carreira de Luisa Stefani, mas também de Bia Haddad Maia, ex-top 60 mundial, e muitos outros.

O que faz um jogador ser excelente em duplas?

Carlos Omaki- Como ser um excelente Duplista

O que faz um jogador ser excelente em duplas?

Existe um monte de maneiras de descrever o jogo de duplas: Rápido, empolgante, decidido em detalhes. Jogadores especializados em duplas mostram uma variedade incrível de habilidades e golpes que muitas vezes não vemos com muita frequencia nos jogos de simples.

Mas afinal de contas, como definir um excelente duplista?

Para o sueco Robert Lindstedt, quanto mais rápido for o jogo melhor. “Se você não está confortável em um jogo de ritmo acelerado na quadra, você não vai ter sucesso.” Este é um dos atributos que fazem com que muitos jogadores se dêem bem em duplas comparados com simples- Características de reflexo rápido são melhores que características de tomada de decisão. Lindstedt diz que ele tem capacidade de fazer qualquer tipo de golpe, mas o fato de ter tempo para pensar em jogos de simples, o fazia tomar decisões ruins na escolha do golpe certo. Seu sucesso acontecia quando ele não tinha tempo para pensar.

“Você tem que ter boas reações. A decisão rápida tem que vir naturalmente para você, caso contrário, você vai ficar parado sem saber para onde ir ou o que fazer ”, disse Lindstedt. “Trata-se de fazer seu sistema nervoso disparar e ver o que está acontecendo mais rápido, e isso é basicamente praticar em um ritmo mais rápido do que você está acostumado por um longo período de tempo. Lentamente, você aumenta seu nível. Alguns nascem com mais facilidade do que outros.

Lindstedt se tornou profissional em 1998 e, aos 43 anos, o sueco continua no Top 100 do Ranking de Duplas. Durante esses 22 anos, ele viu como as duplas mudaram.

“Quando eu entrei na ATP, o condicionamento físico não era uma parte importante das duplas”, disse Lindstedt. “Mas hoje eu sinto que realmente o físico é essencial para um duplista. Aprendi a trabalhar muito, então estou muito feliz em ver isso. ”

Outro veterano que tem grande sucesso há muito tempo é Bruno Soares. O brasileiro acredita que, embora os golpes e a preparação física sejam muito importantes, existem aspectos intangíveis vitais para o sucesso de um jogador de duplas.

“Todos nós sabemos que os grandes jogadores têm pontos fortes bem definidos. Acho que nas duplas o que transforma um grande jogador é a sua capacidade de adaptação ”, disse Soares. “Estamos constantemente nos adaptando a diferentes condições – quadra rápida, quadra lenta, bola rápida, bola lenta, altitude, nível do mar, saibro, grama, difícil, parceiros diferentes, semanas diferentes … Acho que um grande jogador é alguém que, além de possuir golpes incríveis possui grande grande capacidade de adaptação a todas as diferentes situações a que estamos expostos ao longo do ano. ”

 

Carlos Omaki- Duplistas

Sobre Carlos Omaki

Carlos Omaki é treinador de tênis há 38 anos. Uma das referências do tênis nacional, dono de duas premiações como Melhor Técnico dascategorias de base do tênis brasileiro, é proprietário da COT tendo equipes na Academia Paulistana de Tênis, Club Athlético Paulistano e Tênis Clube Paulista e com seu staff de treinadores cuida de cerca de 500 atletas na cidade de São Paulo.

Como treinador, participou não só dos começos de carreira de Luisa Stefani, mas também de Bia Haddad Maia, ex-top 60 mundial, e muitos outros.

Texto Publicado originalmente no site da ATP em 14 de Julho de 2020